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Sex shops ampliam gama de produtos para atender público LGBTQIA+

Outra diferença é a oferta de sex toys, como vibradores e dildos, não realistas, ou seja, que não imitam um órgão real

REDAÇÃO BRASIL 060 por REDAÇÃO BRASIL 060
17/09/2022 | 18:25
em Economia, Notícias
Sex shops ampliam gama de produtos para atender público LGBTQIA+

Para contemplar pessoas de todas as identidades de gênero e orientações sexuais, sex shops ampliam a gama de produtos oferecidos, adaptam a linguagem utilizada na comunicação com os clientes e criam conteúdos educativos nas redes sociais.

Uma das mudanças é a forma de apresentação dos itens: em vez de dividir a loja em opções para homens ou mulheres, as marcas passaram a separar produtos por órgão sexual -para pênis ou vagina. Outra diferença é a oferta de sex toys, como vibradores e dildos, não realistas, ou seja, que não imitam um órgão real.

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Essa é uma das preocupações de Anielle Martins, 32, que em 2021 criou a Lub Lab, sex shop queer (termo usado para designar pessoas fora dos padrões binário de gênero).

Como mulher lésbica, ela tinha dificuldade de encontrar lojas que fugissem do modelo heteronormativo e falocêntrico, em que boa parte dos produtos imitam pênis ou miram heterossexuais.

No estoque da Lub Lab entram apenas itens com design lúdico, coloridos e com formatos diversos. No blog e nas redes sociais da marca, Anielle aborda o prazer feminino além da penetração e, para isso, procura referências em outros negócios do ramo, sexólogos, podcasts e livros sobre o assunto.

Mulheres de 25 a 45 anos são maioria entre os clientes da marca. “Não é só para o público LGBTQIA+

Nossos produtos têm alta recepção das heterossexuais também, que às vezes se espantam com um dildo realista. Essas clientes se sentem mais confortáveis, porque não acham o produto agressivo”, diz Anielle.

Natali Gutierrez, 31, CEO da Dona Coelha, e Renan de Paula, 35, cofundador, também usam as redes para discutir sobre sexo. O negócio, que virou ecommerce em 2015, tem 15 funcionários e faturou R$ 8 milhões em 2021.

“Quando começamos, percebemos que, embora usar produtos eróticos fosse legal, a experiência de compra era muito ruim. As lojas físicas e online eram baseadas em homens -geralmente brancos, heterossexuais e donos dessas sex shops- e ainda estavam presas na exploração e na hipersexualização do corpo feminino”, diz Renan.

“Fala-se sempre sobre o casal hétero. Quando se fala em perder a virgindade, é como se só acontecesse entre um pênis e uma vagina. Mas e dois pênis? E duas vulvas? Todos buscam se reconhecer e com sex toys não pode ser diferente”, afirma Natali.

Para se aproximar do público LGBTQIA+, o empreendedor deve, além de ajustar a comunicação e variar o mix de produtos, entender a função dos sex toys e cosméticos para saber recomendá-los corretamente, diz Paula Aguiar, consultora no mercado erótico há 20 anos.

“É interessante que o empresário tenha capacitação em sexualidade, porque o consumidor busca esse profissional. Muitas lojas já têm respaldo de sexólogos no atendimento ou indicam psicólogos, ginecologistas e fisioterapeutas para orientar o uso de produtos.”

Educação sexual é um dos dos focos da Biscoitando, sex shop voltada ao público LGBTQIA+, criada pelas estudantes Aline Matos, 26, e Beatriz Soledad, 25, que cursam, respectivamente, medicina e psicologia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

Em 2020, decidiram usar suas vivências como mulheres bissexuais para preencher uma lacuna que tinham encontrado, a falta de comunicação para essas pessoas.

“Pensamos em cada detalhe da experiência. Lembrando das pessoas trans, evitamos falar que algo é para um homem ou uma mulher. Deixamos sempre bem claro que somos LGBTQIA+, para ajudar a pessoa a ter menos medo de conversar por saber que é uma loja para esse público”, diz Beatriz. A marca fatura, em média, R$ 5.000 por mês.

Para Alexandre Giraldi, consultor do Sebrae-SP, o negócio não precisa necessariamente ser voltado ao público LGBTQIA+ para incluir pessoas de todos as identidades de gênero e orientações sexuais.

Segundo ele, é mais importante que o empresário conheça de fato as demandas dos clientes e fuja de estereótipos sobre a comunidade para fazer recomendações acertadas. “É preciso entender que nem tudo é penetração. Muitas vezes, ainda existe um preconceito de que o homem gay só quer ser penetrado.”

O especialista lembra também que é preciso ter cuidado com a divulgação de conteúdos da marca na internet. As publicações online podem ajudar a ampliar a visibilidade do negócio, mas é preciso prestar atenção nas diretrizes das redes sociais, que podem bloquear postagens e contas dependendo da imagem e das palavras utilizadas.

“O conteúdo pode ser educativo ou divertido. Tem que chegar ao público por meio de uma orientação ou de um meme e gerar curiosidade para que, a partir disso, a pessoa olhe o perfil e conheça os produtos. A estratégia de uma loja de roupas é mostrar a peça, mas a de uma sex shop não deve ser mostrar uma prótese.”

Por FolhaPress

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