(crédito: Raphael Ribeiro/BCB)
A indefinição sobre o volume de gastos que será criado pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição levou o mercado financeiro a colocar no radar a possibilidade de o Banco Central voltar a subir a taxa básica de juros (Selic), atualmente na casa de 13,65% ao ano. Analistas de grandes instituições não descartam a retomada do aperto monetário pelo Banco Central, dependendo do texto que for aprovado pelo Congresso e do valor das despesas que ficarem acima do teto.
A equipe de transição do novo governo tenta um acordo para aprovar a PEC que, inicialmente, prevê R$ 198 bilhões de despesas fora do teto, sem qualquer contrapartida do lado da receita ou de corte de outros gastos, o que impacta diretamente no endividamento público. Com a dívida em alta, os credores cobram juros maiores, as perspectivas de inflação sobem e o dólar tende a aumentar.
Falando ontem em um evento promovido pela gestora de investimentos Black Rosk, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mostrou cautela ao analisar a situação do país, mas foi claro ao avaliar que a “incerteza fiscal” representa um “peso importante” no cenário econômico. “É preciso equacionar a necessidade social, mas também gerar um equilíbrio fiscal”, destacou o dirigente, sinalizando que o governo precisa manter uma trajetória sustentável da dívida pública.
Por Correio Braziliense




