Correspondente em Lisboa – Brasileiros e estrangeiros ocupam o Largo de Camões, no centro de Lisboa, para uma manifestação contra o Serviço De Estrangeiros e Fronteiras (SEF), responsável pela concessão de vistos de trabalho e residência no país europeu. Há pessoas esperando por atendimento há mais de dois anos, sem qualquer perspectiva de regularização da situação, sendo que a maioria é de brasileiros.
Muitos desses imigrantes alegam que o descaso do SEF empurra milhares de pessoas para a vulnerabilidade, pois não conseguem trabalho formal e sequer moradia digna. As associações que representam esses imigrantes dizem que muitos acabam vivendo em situações análogas à escravidão.
Sônia Gomes, 56 anos, representante da Associação dos Imigrantes em Portugal, afirma que o objetivo da manifestação é fazer com que o SEF enxergue a situação de milhares de imigrantes. Muitos estão tentando fazer reagrupamento familiar ou levar adiante processos de manifestação de interesse de ficar no país. “São pessoas gastam todos os seus recursos aqui, trabalham e merecem respeito”, diz.
Sonia ressalta que o SEF dispõe de apenas 50 funcionários para atender o país inteiro. “Isso é inaceitável. Todos merecem respeito”, enfatiza. No entender da representante da associação de imigrantes, sem a mão de obra estrangeira hoje, Portugal para. “Já nos reunimos várias vezes com a direção do SEF, que promete resolver os problemas, mas nada vai adiante. Por isso, estamos protestando”, frisa.
Manifestantes estão seguindo em direção à Assembleia da República para cobrar de parlamentares que a legislação seja cumprida. Segundo Carlos Viana, um dos fundadores da Casa Brasil, a legislação portuguesa sobre imigração é avançada, o problema está no SEF, cuja burocracia não aceita as mudanças propostas pelo governo, de tirar o poder policial do órgão. Está prevista a criação de uma agência de imigração.
“Eu existo, com ou sem visto. Imigrante não é ilegal. Queremos respeito”. Os gritos de centenas de pessoas ecoam pelas ruas de Lisboa. Aisha Noir, 28 anos, de Belo Horizonte, cobra providências urgentes do governo português. “Estou me sentindo prisioneira em Portugal. Como não respondem sobre o meu pedido de manifestação de interesse para continuar no país, não posso viajar, nem ir para o Brasil ver meus familiares. Isso é indigno é injusto”, afirma. Pelos cálculos do Ministério da Administração Interna, mais de 200 mil pessoas estão na situação de Aisha.

Por Correio Braziliense




